23 de julho de 2026
‘Quero Flávio Bolsonaro candidato até o fim para desmascarar o esquema de corrupção do BolsoMaster’, afirma Lindbergh Farias
Apesar de todos os escândalos recentes envolvendo Flávio, o deputado federal acredita que o senador não vai abrir mão da candidatura à Presidência da República

O escândalo milionário envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou mais um importante capítulo nesta quinta-feira (23) com potencial de aumentar a pressão e o desgaste sobre a pré-campanha do senador à presidência da República.
“Eu quero Flávio candidato até o fim para desmascarar esse esquema de corrupção que a gente chama de “BolsoMaster”. A candidatura de Flávio será questionada até o último momento porque está envolvida com Vorcaro. A imagem dele está muito desgastada e desmoralizada. Não convence mais atacar o PT porque essa investigação atinge frontalmente aquela falsa narrativa bolsonarista de combate à corrupção. É o contrário, eles estão atolados na lama. A situação vai ficar dramática”.
A avaliação é do deputado federal Lindbergh Farias (PT), autor do pedido de investigação sobre o filme “Dark Horse". Em entrevistas ao Metrópoles e ao SBT News ao longo do dia, o parlamentar repercutiu a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a apuração do repasse de R$ 61 milhões feito por Daniel Vorcaro para, supostamente, financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, a pedido de Flávio.
Apesar de todos os escândalos recentes envolvendo Flávio, o deputado acredita que o senador não vai abrir mão da candidatura. “A narrativa já está pronta e é a mesma do pai. Ele vai alegar perseguição política e justificar a derrota dizendo que as eleições foram fraudadas e as urnas não são confiáveis, como já fez esta semana diante dos embaixadores estrangeiros. Não pretendemos pedir a inelegibilidade de Flávio porque não vamos cair nessa armadilha”, afirmou Lindbergh.
O parlamentar citou a possibilidade de evasão de divisas, questionou o verdadeiro destino do dinheiro e cobrou o rastreamento. Ele suspeita que o aporte milionário tenha sido usado pela família Bolsonaro para financiar os ataques do tarifaço contra o Brasil.
“Flávio pediu R$134 milhões a Vorcaro e recebeu R$61 milhões. Esse dinheiro foi enviado para o Fundo Heaven Gate, administrado por Eduardo Bolsonaro nos EUA. É tudo muito estranho. Se o filme foi todo gravado no Brasil, por que esse dinheiro foi parar nos EUA? Queremos saber se o dinheiro ajudou a sustentar a vida de luxo de Eduardo no exterior ou se eles bancaram a campanha do tarifaço contra o Brasil. É preciso rastrear o caminho do dinheiro porque está nítido que ele não foi direcionado para fazer a produção do filme. Tem muita coisa para ser explicada. Podemos estar diante de uma lavanderia de dinheiro. É uma crise grande que desmoraliza ainda mais o Flávio”, afirmou Lindbergh Farias.
No inquérito aberto a partir da decisão de Mendonça nesta quinta, a Polícia Federal vai apurar tanto os repasses de Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro como a suposta destinação de recursos para Eduardo Bolsonaro. Perguntado sobre os próximos passos da investigação, Lindbergh projetou alguns possíveis caminhos.
“Com a abertura dessa investigação pode acontecer muita coisa, como quebra de sigilo bancário e pedido de prisão preventiva. Isso também pode ser a peça que faltava para conectar a campanha do Flávio aos ataques contra o Brasil que foram liderados por Eduardo no exterior”, enfatizou.
O deputado também fez uma análise da atual situação das alianças partidárias. “A chapa pura do PL mostra Flávio isolado e com dificuldade de angariar apoio. PP e União Brasil já abandonaram o barco e anunciaram neutralidade. O Republicanos ainda está em negociação. Já o presidente Lula tem um palanque eleitoral consolidado em vários estados e com alianças fechadas”, avaliou.
Notas fiscais suspeitas
Lindbergh Farias também protocolou uma notícia de fato na PF pedindo a abertura de investigação sobre as notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro a empresas ligadas ao esquema do Banco Master. Segundo denúncia revelada pelo Metrópoles, em abril de 2025 o escritório de advocacia de Flávio emitiu R$1,5 milhão em notas fiscais em favor de duas empresas de fachada usadas por Daniel Vorcaro para movimentar R$58 milhões do Banco Master.
Os documentos indicavam prestação de serviços de consultoria jurídica à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. e à Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda. As duas empresas são ligadas a Rogério Lourenço Novo, que consta na Receita Federal como único diretor responsável pela Copenhagen e único sócio da Contábil Correa. Ambas são ligadas ao esquema de Vorcaro no Banco Master. As notas indicam que as conexões entre Flávio e Vorcaro vão além das reveladas até agora na crise do Dark Horse.
